Dia Internacional da Juventude: Go Alemoa Go mostra que protagonismo juvenil se constrói no dia-a-dia

Neste Dia Internacional da Juventude, o Instituto Plataforma Brasil traz um pouco sobre a força do protagonismo juvenil na comunidade Alemoa, em Santos, onde desenvolvemos o projeto Go Alemoa Go, em parceria com a Vopak.

Com quantos jovens se faz a transformação que queremos na sociedade? 

A ideia de definir o protagonismo jovem no processo de formação e educação surgiu com o educador mineiro Antônio Carlos Gomes da Costa. Inicialmente, em âmbito escolar, esse conceito tem como premissa tornar o jovem como  elemento central da prática educativa, participando ativamente de todo o procedimento, desde a elaboração até a avaliação das ações propostas.

A proposta é fazer com que os jovens tenham uma legítima participação social, contribuindo não somente com a escola, como também com a comunidade em que está inserido. Em outras palavras, o protagonismo juvenil forma pessoas mais autônomas e comprometidas socialmente, capazes de se solidarizar com o próximo e colaborar com um presente e um futuro mais justo.

Na periferia de Santos, o Go Alemoa Go, por meio de atividades do Programa Educativo Anne Frank, reúne 18 jovens ativos em atividades e ações que, em linhas gerais, são norteadas pela metodologia dos três Rs – relembrar, refletir e reagir – da Anne Frank House Brasil.

Orientados pela pedagoga do projeto, Suely Araújo, os jovens são instigados a desenvolver o pensamento crítico, a autonomia e ter garantidos seus espaços de fala, dentro e fora da comunidade. “Os jovens de Santos gostam muito de sentirem-se responsáveis pela realização das ações e quanto mais se sentem co-criadores, mais entusiasmados ficam”, explica.

No primeiro semestre de 2020, a pandemia e as consequências do distanciamento social, imposto para a contenção do novo coronavírus, trouxeram novas possibilidades ao grupo, que mesmo impedido de se reunir presencialmente, se adaptou à nova realidade.

Muitas das propostas desenvolvidas pela Rede Jovem Anne Frank Brasil partiram dos jovens participantes do projeto na comunidade. Sempre atentos às novidades e imersos nos temas relacionados ao universo do Programa Educativo Anne Frank, eles organizaram lives, bate-papos, palestras e estiveram ativos nos encontros promovidos pela Anne Frank House com jovens do mundo inteiro.


Em uma das ocasiões, apresentaram, em inglês, o cenário local durante a pandemia para colegas holandeses, estadunidenses, alemães e argentinos. A desenvoltura e a dedicação em trazer um conteúdo interessante durante o Webinar Helpers rendeu elogios dos participantes.

Na visão da educadora Suely, participar das lives abre oportunidade aos jovens atualização nos temas, trabalha a postura, vocabulário, fala, amplia suas redes de contatos, uma vez que são eles mesmos que convidam outras pessoas para as atividades. “Além disso, eles preparam os roteiros de fala com meu auxílio. Tem sido muito rico participar e eu sempre reforço o quanto isso auxilia para o desenvolvimento e aprimoramento das suas potencialidades. Vários jovens fizeram lives em Santos, os que não o fizeram, possuem outras habilidades, que também são exploradas de várias maneiras”, comenta. 

Foi também durante este período, que os jovens deram início às reuniões do Residência Criativa, projeto de empreendedorismo social que teve início no ano passado e contempla ideias dos jovens da comunidade para a implantação de negócios de desenvolvimento local em três áreas: cultura e lazer, requalificação urbana habitacional e educomunicação e arte urbana.

Atentos à necessidade de promover o diálogo sobre temas como o preconceito, racismo e a discriminação, os jovens propuseram, no mês da visibilidade LGBTQIA+ uma ação que envolveu toda a Rede Jovem Anne Frank Santos e mobilizou a comunidade.

A convite do jovem Matheus, Arthur Ryber, o presidente de um coletivo LGBTQIA+  de Santos se encontrou com os jovens no Espaço Rede Jovem Anne Frank Brasil, mantido na comunidade, para falar sobre  o histórico do movimento, seus desafios e dificuldades e indicar filmes para futuras referências, que podem ser usadas de forma pedagógica e reflexiva. 

Na ocasião, a pedagoga orientou uma partida com o jogo de Comunicação Não-Violenta, GROK para uma rodada de sentimentos e necessidades em algum episódio de preconceito que tenha sido vivenciado por cada um. 

A comunidade também participou, ao emprestar um equipamento de som, usado para tocar músicas representativas, e para falar um pouco sobre os números de mortes de LGBTQIA+s no Brasil.

“Nós, da rede, alternando-nos em quantidade no espaço, construímos uma faixa que foi colocada na frente do espaço da rede jovem, com um arco de bexigas nas cores da bandeira, os demais jovens que ficaram em casa, geralmente os que moram mais distante, receberam um kit com folhas A3, canetinhas e giz de cera, para confeccionarem seus próprios cartazes. Vários dos nossos cartazes foram espalhados nos postes do bairro e muitas fotos com a bandeira LGBT foram tiradas usando como modelo nosso jovem Lucas, que é homossexual e adorou representar nossa Rede contra a homofobia. 

Essas ações partem sempre dos jovens e minha responsabilidade como educadora é filtrar necessidades, trazer o diálogo para redução de preconceitos, propor a construção de algo que seja possível trazer reflexão para a comunidade e para os jovens, além de organizar a demanda em meio a uma pandemia. Ficamos muito felizes e orgulhosos com o resultado”, celebra.

Para finalizar o semestre com a certeza de que todo o empenho e dedicação geram bons frutos, os jovens Matheus Martins e Letícia Pereira foram selecionados na primeira fase para o programa Jovens Transformadores da Ashoka. Matheus ainda garantiu lugar, entre 20 jovens do país todo, em uma mentoria com profissionais da Oracle. Em encontros semanais, ele recebe orientações e tem a oportunidade de trocar ideias sobre seu projeto de desenvolvimento local da Residência Criativa, o Virada Jovem.

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