Uma viagem pela história

Confira o relato da coordenadora do Hub Anne Frank em São Bernardo do Campo, Andrea Wolfsohn, que esteve na Alemanha em uma emocionante viagem pela história de sua família:

No final de janeiro deste ano, recebi uma mensagem do meu irmão, dizendo que a cidade em que meu avô nasceu, Wolfenbüttel, faria uma homenagem em memória à família de origem judaica. Eu estava bastante ocupada na organização de um evento para marcar o “Dia Internacional da Lembrança do Holocausto”, que ocorreu dia 27 de janeiro, na Biblioteca Érico Veríssimo. O dia emblemático marcou a libertação pelos soviéticos do maior Campo de Concentração Nazista Alemão, um complexo que sempre tive vontade de visitar: Auschwitz-Birkenau.

Não imaginava que em 2020 eu teria oportunidade de fazer esse resgate histórico com o tema do meu doutorado e no momento em que li a informação passada por meu irmão, soube que de qualquer maneira, eu faria todo o esforço para ir à Alemanha. E foi o que fiz, sem ponderar demais, pensei que essa seria uma grande oportunidade de adquirir mais conhecimento, que embasariam minha escrita da tese de doutorado.

Em três semanas estive em muitos lugares entre a Alemanha, Holanda, Suécia e Polônia, vivenciei grandes experiências, acompanhei a colocação das cinco “Pedras de Memória” (Stolpersteine) na frente da casa em que meus parentes diretos tiveram que abandonar para fugir para a Grécia, em sua luta por sobrevivência. Visitei a Casa Anne Frank em Amsterdam, onde tive a oportunidade de uma reunião de trabalho promovida pelo Instituto Plataforma Brasil (IPB) com a Sra. Joséphine de Man, Líder de Projeto Educacional da instituição. Conheci também o “Centro Anne Frank” em Berlin, um espaço repleto de experiências de aproximação com o tema, com muitas propostas pedagógicas bastante interativas.

Visitei os seguintes Campos de Concentração: Dachau – primeiro Campo de Concentração, Auschwitz-Birkenau, o maior Campo de Extermínio e Neuengamme – para onde foi levado o Dr. Fritz Pfeffer, o senhor que dividia o quarto com Anne Frank no “esconderijo secreto”. Também estive em vários museus relacionados ao tema do Holocausto e Resistência.

Não sou mais a mesma pessoa depois de todas as minhas vivências, e principalmente agora, no momento que vivemos reclusos em nossos lares, em nossa Quarentena – quantas reflexões e junções de conhecimento! Todos os dias da minha viagem, eu repetia “Escolhi estar aqui!”, não importava onde eu estivesse, sempre pensava assim, tendo em mente que nem todas as pessoas podiam no passado ou podem agora em nosso presente, escolher onde gostariam de estar.

Nosso “esconderijo” não é secreto, não estamos escondidos, estamos reclusos. Mas que tempo para refletir sobre a memória dos Frank, dos Van Pels, do Sr. Fritz Pfeffer e de outros tantos milhões de vítimas da privação de Direitos Humanos que a perseguição nazista promoveu por muitos anos, meses, dias, horas, minutos, segundos.

Profª. Ms. Andrea Christina Wolfsohn, graduada em Design de Embalagem (UAM) e Pedagogia (FASB). Doutoranda em Educação pela Universidade Metodista de São Paulo. Professora de Educação Básica I nas redes de São Bernardo do Campo e Santos. Coordenadora Local da Rede Jovem Anne Frank, Hub São Bernardo do Campo. Neta e bisneta de Judeus vítimas da perseguição nazista.

Um comentário

  1. Boa noite. Muito intetessante, gostei muito, parabéns e obrigado por dividir esta experiência única, falando dos seus antepassados. Abraços

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