Dia do Orgulho LGBTQ+: a luta por igualdade continua

Hoje, 28 de junho é comemorado o Dia do Orgulho LGBTQ+. A data é simbólica e importante, já que em 28 de junho de 1969 , há 50 anos começava em Nova Iorque uma revolta de seis dias que ficou conhecida como Revolta de Stonewall.  

Na época, a homossexualidade ainda era considerada crime em diversos estados americanos e quem fosse acusado podia ser internado à força em clínicas, sofria castrações químicas e outras técnicas de “cura”. Nas propagandas, homossexuais eram constantemente comparados aos pedófilos para assustar as famílias americanas. 

Outra ação muito comum eram as batidas policiais em bares gays, com prisão dos donos, funcionários e de muitos clientes. Em 28 de junho de 1969, o cenário não parecia ser diferente quando a polícia invadiu Stonewall Inn – mas dessa vez, os frequentadores resolveram resistir. Liderando essa briga estava Marsha P. Johnson, mulher trans, negra, prostituta e drag queen. Hoje, lembrada como um dos maiores símbolos da luta pelos direitos LGBTQ+. 

A resposta à ação policial foi marcada por um motim em frente ao bar, com ação violenta por parte dos policiais. Os manifestantes chegaram a fazer uma marcha no meio da rua sob gritos de “Gay Power” e deram início a uma série de protestos, que duraram seis dias. Um ano depois, o mesmo grupo realizou a primeira marcha do Orgulho LGBTQ+. 

O retrato do preconceito

O cenário não é animador: a homossexualidade ainda é criminalizada em mais de 70 países. De acordo com a Associação Internacional ILGA (International Lesbian, Gay, Bisexual, Trans and Intersex Association), que monitora as leis relacionadas ao tema há 12 anos, em 8 diferentes Estados a pena de morte está prevista para a população LGBTQ+ ou há evidência de que tenha sido aplicada.

No Brasil, ser LGBTQ+ não é crime, mas ainda há punição. De janeiro a maio deste ano, foram 141 mortes, segundo relatório do Grupo Gay da Bahia (GGB), sendo 126 homicídios e 15 suicídios. Isso dá, em média, uma morte a cada 23 horas. Como o levantamento é feito com base em notícias publicadas em veículos de comunicação, informações de parentes das vítimas e registros policiais, esse número pode ser ainda maior. O próprio relatório indica que há uma margem de erro de 5 a 10%. 

Mesmo assim, precisamos comemorar o que já foi conquistado até aqui. Atualmente, são 21 países que sediam paradas anuais do Orgulho LGBTQ+. O Brasil tem a maior delas, a de São Paulo, que aconteceu no último domingo (23) e levou mais de 3 milhões de pessoas para a Avenida Paulista. Já o casamento igualitário é permitido em 30 territórios, incluindo o Brasil, em que a regulamentação vale desde 2013.

Aos poucos, há avanços nessa jornada: esse ano, em pleno Mês do Orgulho LGBTQ+, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) permitiram a criminalização da homofobia e da transfobia. Agora, atos preconceituosos contra homossexuais e transexuais devem ser enquadrados na Lei de Racismo (Lei 7716/89), com pena de um a três anos, além de multa. Se houver divulgação de ato homofóbico em meios de comunicação, como postagens em rede social, a pena pode ser de dois a cinco anos, além de multa.

Em Cabreúva, Santos e Belo Horizonte, a Rede Jovem Anne Frank debate o tema e busca formas de combater o preconceito e a discriminação, criando ferramentas de diálogo e construindo um futuro distante da desigualdade.

Para o jovem Cleiton, de 19 anos, integrante da Rede Jovem Anne Frank Cabreúva, ” Ainda precisamos lutar para sermos visíveis na sociedade. Existimos e precisamos afirmar que não precisamos de um dia apenas para sairmos vestidos da maneira que somos sem sermos julgados”.

Ele conta que depois de muito se esconder, hoje é feliz por poder ser quem é. “O sorriso que estampa o meu rosto é um sorriso de felicidade de alegria de poder ser eu mesmo. Por muitos anos tive dúvidas e fugia de quem eu era, mas hoje vejo que não tem nada melhor do que sair e falar quem você é e respeitar o outro da maneira que ele é, sendo diferente”, afirma.

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